Para ligações em condomínios residenciais verticais com mais de sete economias na cidade de Londrina
Autores: Adaberto Carraro, Antonio Gil Fernandes Gameiro, Vanderlei Gaspar, Aguinaldo Bergamo Martins e Acir Pedro Crivelari
Fonte: Sanare – Revista Técnica da Sanepar. V.23 N.23 janeiro a dezembro de 2005.
Resumo
A implantação de um sistema de gestão da micromedição, especialmente para grandes clientes, além de incrementar a receita da empresa, também contribui de forma significativa para a redução de perdas aparentes, decorrentes de falhas de cadastro, erros de medição de hidrômetros, entre outros.
A definição do melhor hidrômetro a ser instalado no ramal predial de determinado cliente atualmente é baseada nas normas técnicas da ABNT – NBR NM 212/1999 e NBR14005/1997, norma ISO 4064, literaturas, artigos técnicos e catálogos de produtos, mas estes critérios estão defasados e não atendem plenamente ao objetivo, devido às peculiaridades locais de consumo, pressão entre outros.
As ações de controle e de redução de perdas aparentes pela micromedição, representam um forte apelo, interno e externo às empresas de saneamento, visando alcançar a gestão eficiente do setor de abastecimento de água, não comprometendo as finanças da empresa, postergando investimentos na ampliação dos sistemas de água pelo estímulo ao uso racional.
Porém, por mais interessante que seja a idéia, ela não se sustenta, uma vez que os recursos financeiros necessários para a adequação do parque de hidrômetros implantado são vultosos e ainda persiste a idéia de retorno rápido do investimento.
Introdução
O sistema distribuidor de água tratada da cidade de Londrina apresentou perdas no mês de janeiro de 2005 superiores a 41,0%. Desse volume perdido e não contabilizado, considerase que 40,5% sejam perdas aparentes, atribuídas a erros de dimensionamento, instalação inadequada e perdas de rendimento por envelhecimento do parque de medidores. Também contribuem para isto os erros de leitura por falha humana, fraudes, ligações clandestinas, deficiências de cadastro, gestão comercial e outros, o que equivale a 17,48% do total produzido.
Visando desenvolver uma metodologia para mensurar o consumo mais próximo do real, foi estabelecido o PCP (Perfil de Consumo Potencial) do Grande Cliente residencial de Londrina, que embora represente apenas 0,52% das ligações totais, é responsável por cerca de 12,5% do consumo micromedido. Sendo assim, efetuou-se a análise de consumo da ligação de diferentes maneiras.
ROCHA e BARRETO (1999), YOSHIDA et al (2003) e SABESP/IPT (2000) e a NBR 7229 (ABNT-1982) apresentam diferentes métodos empíricos para determinação de consumos por habitante ou por habitação. O que se observa na prática é que a realidade das companhias de saneamento generaliza o uso de tabelas de perfis de consumo, não levando em consideração a heterogeneidade e sazonalidade do número de habitantes das ligações de água, características socioeconômicas e valores culturais, criando a necessidade da utilização de um método personalizado na determinação do conhecimento do PCP da ligação.
Para ligações novas, o dimensionamento do hidrômetro, é efetuado através de normas internas da Sanepar:
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ECA – Estimativa de Consumo de Água: norma Sanepar IA/OPE/126-01,
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PIHS – Projeto de Instalações Hidro-Sanitárias: Norma Sanepar PF/OPE/024-02,
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FSE – Folha de Situação Estatística: Norma Sanepar IA/OPE/125-01
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A determinação do PCP é de responsabilidade do projetista, construtor ou do proprietário da edificação, que deve seguir a norma NBR 5626 (Instalação Predial de Água Fria), para o dimensionamento hidráulico do edifício. O item 5.2.5.1 desta norma estabelece que: “a concessionária deve fornecer ao projetista o valor estimado do consumo de água por pessoa e por dia, em função do tipo de uso do edifício”, portanto é de responsabilidade da Sanepar fornecer os dados de consumo que serão utilizados para a definição do hidrômetro a ser instalado nas ligações prediais de água.
De acordo com o antigo Manual de Procedimentos e com o atual Sistema Normativo da Sanepar, conforme a ECA (Norma de Estimativa de Consumo de Água), IA/OPE/126-01, o consumo de água é estimado de acordo com a área do apartamento, onde em momento algum faz-se referência de se tratar da área útil ou da
área total do imóvel, simplesmente o consumo é atribuído de acordo com a tabela 1.

Avaliando-se o histórico de estimativas de consumos e dimensionamento de hidrômetros constatou-se que estes podem estar super ou subdimensionados, acarretando um erro já no início do uso da ligação, pois a estimativa de consumo para determinar o PIHS é feita simplesmente pela área dos apartamentos.
De posse do PIHS, o hidrômetro é dimensionado de acordo com a faixa de consumo estimado mensal, conforme é ilustrado na tabela 2.
Após a definição do perfil de consumo da ligação, a Sanepar analisa o PIHS, aprovando os itens de interesse da empresa. Normalmente os hidrômetros estão superdimensionados, conforme se quer demonstrar.
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