Autores: Elton J. Mello e Rubens de Leão Farias
Fonte: 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Anais. 2001, João Pessoa/PB.
RESUMO
Em condições normais de abastecimento e sob o ponto de vista da medição do consumo dos ramais prediais, a presença de ar nas redes públicas de água é desprezível, mas em determinadas situações extraordinárias, ocorre o ingresso de volumes significativos de ar no sistema, que podem alterar esta situação.
Este ar atravessando o hidrômetro é registrado e a determinação da sua interferência no consumo medido é o objetivo principal dos estudos que o DMAE e a CORSAN vêm realizando desde 1997, através da utilização de dispositivos eliminadores de ar em testes de campo.
Os resultados alcançados têm demonstrado que o emprego destes dispositivos na rede pública de Porto Alegre, não apresenta nenhum benefício significativo ao usuário, ou mesmo protegem o medidor de água quanto a danos quando submetidos às elevadas velocidades de passagem do ar.
Aliada a estes resultados, a possibilidade de contaminação da rede pública, nos casos de alagamentos dos locais onde estão instalados, torna inviável a aplicação prática desses equipamentos.
Entre as conclusões que este estudo tem permitido chegar ao longo de seu desenvolvimento, a mais importante é de que a solução definitiva e não paliativa para a interferência do ar na medição do consumo, compete exclusivamente às empresas de saneamento, através de investimentos para reduzir a intermitência no abastecimento de água, seja pela substituição de redes esclerosadas, seja pela ampliação de sistemas de distribuição deficientes, isto é, atacando a causa e não a conseqüência.
INTRODUÇÃO
Sabe-se que o ar presente na rede de um sistema de distribuição de água, quando do retorno do abastecimento após uma interrupção, pode alterar o valor do consumo registrado pelo medidor.
A presença do ar em canalizações, que aduzem ou transportam líquidos, é um fenômeno previsível sob o ponto de vista hidráulico. Todavia seus efeitos, positivos ou negativos, ainda não são totalmente conhecidos.
No caso específico de adutoras e redes de distribuição de água, projetistas e operadores de sistemas utilizamdispositivos que retiram e/ou incorporam ar em função do efeito que se deseja no trecho considerado.
Muitas vezes os dispositivos projetados para efetuarem o controle automático da entrada e saída de ar nas tubulações troncais de distribuição não estão cumprindo com sua função, principalmente devido a alguns fatores, dos quais citamos os principais:
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Os dispositivos controladores não são instalados na quantidade e posições adequadas durante a execução da rede de distribuição.
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Quando ocorre uma ampliação ou reforço do sistema de distribuição existente, a posição e o número de equipamentos deveriam ser reestudados, o que raramente acontece.
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Normalmente, não é efetuada manutenção preventiva nos equipamentos existentes.
Quando estivermos diante de qualquer uma das circunstâncias acima, é provável que grande parte do ar contido na tubulação tenha as ligações domiciliares como opção de entrada e saída do sistema. Evidentemente, quando os fatores forem combinados, espera-se uma potencialização dos seus efeitos.
Assim, a influência deste ar na medição do consumo ocorre nos dois sentidos, ou seja, positivamente, adicionando uma parcela ao registro do medidor, quando do retorno do abastecimento d’água, e negativamente, subtraindo uma outra quantidade do volume totalizado, quando da interrupção do suprimento. O resultado final desta influência sobre o consumo medido e faturado é, no entanto, ainda desconhecido.
Por outro lado, devido a suspeita de que todos os consumidores estariam pagando ar na sua conta de água, inventores têm desenvolvido dispositivos para eliminar o ar aprisionado nas ligações prediais, antes de ser contabilizado pelo medidor.
Estes dispositivos, denominados de válvulas eliminadoras ou expulsoras de ar, têm sido apresentados à população como solução para o problema. Iniciativas promovidas por diferentes entidades, inclusive legisladores com o intuito de protegerem os seus eleitores, pretendem obrigar a instalação destes equipamentos junto aos medidores de água, sem um completo conhecimento e domínio da real influência do ar nas medições.
OBJETIVO GERAL
Com o intuito de evitar que se implantem medidas, que possam causar prejuízos às empresas de água e aos próprios consumidores, este trabalho pretende avaliar o real comportamento da medição do consumo de água, quando submetida à presença do ar e, também, as alternativas existentes para minimizar ou eliminar os efeitos, que forem constatados.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
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Observar e medir os efeitos da movimentação do ar na totalização dos volumes fornecidos aos usuários;
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Testar e medir a eficiência dos dispositivos controladores de ar na rede de distribuição;
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Testar, medir e comparar, através de experimentos de campo, os consumos registrados por hidrômetros, com e sem válvulas eliminadoras de ar.
Baixe aqui o trabalho completo e veja a apresentação com imagens de campo.



“Pacto das Águas” é o nome da cartilha elaborada pelo Sindicato de Trabalhadores Rurais de Aripuanã, por meio do Projeto União dos Povos da Floresta para as proteção dos rios Juruena e Aripuanã voltada a levar informações às escolas de ensino fundamental das comunidades que moram às margens desses rios. O material objetiva incentivar a discussão em relação à gestão das águas na região entre jovens indígenas, seringueiros e agricultores, para que possam pensar com as suas comunidades diferentes formas de cuidar das águas por meio da conservação da floresta em pé.
Como os nossos intrépidos designers observam, a África é atormentada duas vezes pela sua situação de hidratação. Duas vezes, porque não só o seu abastecimento de água é baixo, mas a água que está disponível, geralmente, não é para o consumo humano e está poluída.



